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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sinfonia #2



Silêncio.

Calma, após uma sinfonia desgovernada de corpos e suor e tudo.

Silêncio apenas quebrado por duas respirações alteradas à procura de se encontrarem.

Foi o primeiro andamento.

Olho-te... meu maestro desgrenhado de mãos experientes. Pergunto-me em silêncio como aprendeste tu as diferentes tonalidades do meu corpo, tão habilmente, tão rapidamente.
Como podes ser tu o único a conseguir tocar-me assim. Tu, que tens tanto de certo, como de errado.

Observo-te todo. Esse corpo grande, coberto de pequenas gotas de suor. Apetece-me aninhar-me nos teus braços fortes, agora caídos sem ordem sobre a cama. Afasto o pensamento e retorno à minha contemplação. Cabelos desgovernados e escuros. Lábios carnudos. Barba rala. Tronco imenso. Sexo... recolhido, mas eu bem sei que agora só me está a enganar...

Tens os olhos fechados e eu continuo a olhar-te, como se nunca mais te pudesse ver.
De súbito, abres os olhos e os nossos olhares cruzam-se.

Um olhar incendiário, poderoso e profundo. De repente, sinto-me consumida em chamas - e tu ainda não me estás a tocar.

"Agarra-me. Anda, não demores."

Lês-me o pensamento. Sorris... e ignoras-me.

"Segundo andamento: lento..."

Agora vais fazer-me sofrer.

Aproximas-te de mim, qual felino em direcção à presa.

Beijas-me profundamente e o meu coração pára. Contra a minha vontade, a tua boca abandona a minha e viaja para sul - de-va-gar.

A tua boca nos meus seios. A tua língua nos meus mamilos. Os teus dentes.
Eu a enlouquecer.

De-va-gar.

O meu ventre, milimetricamente percorrido pela tua saliva.
O meu sexo, (muito) quente, (muito) húmido, pronto a receber-te.

Percebo agora: não usarás a batuta. Comandas a sinfonia apenas com a boca... e com o olhar.

Abocanhas-me, de súbito, e eu grito.
Língua, saliva, dentes, tu. Ai!
Tiras a boca, sopras... e olhas-me.
É devastador. Quase me vim apenas com a força desse olhar.

Largas-me louca na cama. Ficas a olhar-me... e eu...

(continua)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sinfonia #1




Toca-me.
Serás músico e eu instrumento.
Serás maestro e eu sinfonia.

Toca-me.
Faz-me gritar em vários tons de êxtase:
tu...
...perto de mim
...sem me tocar
...na eminência de o fazer

eu...
...expectante
...excitada
...doida
...a sentir apenas o bafo quente da tua respiração

Toca-me.
Apenas com o ar que respiras. Depois...
...lábios leves.
...lábios fortes.
...língua.
...dentes.

Morde-me.

Toca-me.
Com as tuas mãos. Primeiro...
...dedos.
...mãos cheias de seios e carne e ventre e carne.
...unhas.

Arranha-me.
Marca-me - sou tua.
Toca-me.

Dedilha o meu corpo como se fosse piano ou violino ou guitarra.
Arranca de mim as notas mais sublimes de prazer - gemerei com a destreza das tuas mãos experientes, cantarei em êxtase quando chegares ao âmago de mim.

Toca-me - tu sabes fazê-lo.

Agora tu em cima de mim.
Dentro de mim.
Faz um solo em mim.
Receber-te-ei no meu interior quente e molhado, e soarão acordes nunca ouvidos
...sublimes
...ardentes
...lentos
...rápidos.

Sim. Com força. Agora... não pares...
Cantarei contigo.
Continua a tocar.

Pára... devagar agora.
Enlouqueço.
Pára. Recomeça.
Oh...
estou-me
a
vir...

Silêncio.

(continua...)